quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Centro socioeducativo feminino de semiliberdade inaugura biblioteca

Foi no sistema socioeducativo que E.T.S., de 19 anos, descobriu o gosto pela leitura. O primeiro livro lido foi “Como eu era antes de você”, de Jojo Moyes, quando aguardava sentença no centro provisório Casep Metropolitano. Agora, após cumprir medida de internação e estar em regime de semiliberdade no Casemi Santa Catarina, a adolescente conta com uma biblioteca nova para mergulhar em novas histórias.

A unidade socioeducativa inaugurou nesta quinta-feira (1º) a Biblioteca Clara Camarão, com presença do presidente da Fundação de Atendimento Socioeducativo – Fundase/RN, Herculano Campos, de servidores e da gerente da unidade, Sivonete Abreu; da psicóloga e escritora Ana Cláudia Trigueiro e outros convidados que colaboraram na campanha de arrecadação de livros.

“Nós já tínhamos o hábito de ler aqui e a gente fica muito feliz com a biblioteca, porque é algo pra gente e para as meninas que ainda passarão por aqui”, disse A.L.S, 19. 

Para a escolha do nome do espaço de leitura, a equipe técnica propôs três escritoras mulheres que são símbolo do RN: Auta de Souza, Nísia Floresta e Clara Camarão. Adolescentes e funcionários da unidade decidiram por Clara Camarão – mulher, indígena de etnia potiguara que habitava a margem do rio Potengi.

“Ela deixou os afazeres domésticos e foi lutar junto ao seu marido [Felipe Camarão]. Além disso, há conhecimento de que ela também liderou um grupo de guerreiras nativas na luta contra os holandeses durante a colonização”, contou a assistente social Elisângela Feitosa, ao explicar que a personagem foi reconhecida como uma das primeiras feministas do Brasil.

“A escolha de Clara serve para além de tudo mostrar a força da mulher - tomar o exemplo dela como uma mulher forte e que buscou sua autonomia e seu empoderamento”, justificou Elisângela.

O presidente Herculano Campos parabenizou a todos pelo empenho para a criação da biblioteca e disse esperar que a experiência frutifique se multiplique dentro de Fundação com novos espaços de leitura.

“Vivemos uma situação tão delicada na conjuntura social e política brasileira que cada pequena vitória que temos merece ser comemorada da melhor forma possível”, expôs, lembrando que são muitos os desafios da socioeducação.

 “O nosso trabalho tem várias dimensões, desde a segurança até a educacional. A gente não pode desconsiderar nenhuma delas, mas efetivamente o que nos dá mais prazer nesse trabalho é poder avançar nos aspectos educacionais”, concluiu.

A unidade realizou campanha de arrecadação de livros infanto-juvenis em parceria com diversas instituições e continua aceitando doações.

Em Natal, contribuíram na campanha: a Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Norte (Fundase/RN), a Biblioteca Desembargador Aécio Sampaio Marinho, do Fórum Miguel Seabra, e a Biblioteca do IFRN Zona Norte.

O acervo da Biblioteca Clara Camarão foi organizado pela bibliotecária Vanessa Cavalcanti, que, junto ao IFRN, está construindo um projeto de extensão que incluirá rodas de leitura.

O artista Geilson Araújo colaborou com pintura de painel.




Contatos para doações:

(84) 3232-4019 / casemisantacatarina.fundase@gmail.com.

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