terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Prefeita de destaque em controle de gatos concede entrevista ao Jornal O Mossoroense

A entrevistada desta semana cumpre seu terceiro mandato como prefeita no município de Riacho da Cruz, Alto Oeste do estado, e em tempo de crise, é uma das únicas gestoras do Rio Grande do Norte a manter o pagamento de funcionalismo e fornecedores em dia. Ex-presidente da Amorn, Bernadete Régo, fala dos efeitos da crise nos municípios, da fórmula adotada para controlar os gastos e do feito de ter extinguido o mosquito Aedes Aegipty em seu município há três anos.

MÁRCIO COSTA – Vivemos um momento de crise que atinge todos os segmentos da sociedade. Como os prefeitos avaliam este momento?

BERNADETE RÊGO – Difícil, mas é na dificuldade que devemos buscar soluções simples e efetivas para tentar amenizar os problemas.

MC – Quais são as maiores dificuldades enfrentadas pelos municípios?

BR – A falta de compromisso dos Governos federal e estadual com os municípios, ambos não cumprem o seu papel. Por consequência, as prefeituras que lidam com os problemas imediatos da sociedade, ficam engessados no processo de gestão.

MC – Há expectativa de mudanças? Na sua opinião, em 2016 teremos um quadro de melhora, ou piora?

BR- A previsão é a pior possível, não acredito em mudanças. Porém, como bom sertanejo que somos não devemos pensar sempre no pior. Vamos procurar fazer muito com o pouco  que temos, e superar essas dificuldades com trabalho.


MC – O município de Riacho da Cruz é um dos únicos do RN que mantém funcionalismo e pagamento de fornecedores em dia. Como foi possível alcançar esta condição?

BR – Com planejamento, redução de despesas, trabalho árduo e com o apoio dos servidores que não estão medindo esforços para nos ajudar.

MC – Algumas prefeituras demoraram a  cortar gastos e sofrem os efeitos da crise de forma mais intensa. Estas prefeituras terão como colocar ordem na casa e retomar a administração?

BR – Em Riacho da Cruz tomamos medidas duras no inicio da gestão para conter os gastos. A ordem é: não gastar mais do que tem.

MC – Você já foi presidente da Amorn num período de atuação mais intensa. Entidades como Amorn e Femurn tem cumprido com o papel de representar os municípios?

BR – As entidades se esforçam, mas nem sempre é possível. É importante o papel das associações no municipalismo. Os prefeitos participam e entendem a relevância da integração e cooperação. É fundamental tomar decisões conjuntas e exigir dos nossos parlamentares e governantes, que são os nossos representantes, os direitos dos nossos municípios considerados hoje os primos pobres da nação.

MC – Qual sua avaliação da atual bancada federal do Rio Grande do Norte?

BR – Uma bancada que precisa atuar de maneira mais enfática na busca de melhorias para o Estado.

MC – O governador Robinson Faria tem feito um bom início do Governo?

BR – Não mudou quase nada. O RN continua com as mesmas dificuldades, tais como: a falta de segurança, saúde, e estradas ruins. Infelizmente não vemos perspectiva ou ação para que esse cenário apresente melhoria.

MC – Seu município integra o Circuito das Serras Potiguares. Quais as expectativas quanto ao desenvolvimento de atividades turísticas na região.

BR – O Circuito das Serras Potiguares foi um “grito de socorro” da sociedade civil da região Oeste, para mostrar ao RN que nós estamos vivos. O Oeste sempre foi esquecido pelo Estado. Tratavam o Oeste como uma região caracterizada pela violência, fome e miséria. Estamos mostrando que apesar de todas as dificuldades temos nossas belezas naturais, um povo cordial e trabalhador. O turismo é um importante elemento da economia, por isso, precisamos fazer com que os órgãos públicos, em conjunto com a sociedade civil, desenvolvam atividades visando o incentivo ao trabalho, e o resgate da esperança por dias melhores.

MC – Riacho da Cruz não registra casos de dengue há mais de três anos. Como foi possível chegar a esta condição num momento onde o País luta contra o aumento de doenças geradas pelo Aedes Aegipty.

BR – Nos últimos anos, desenvolvemos uma rotina diária de combate ao Aedes Aegipty. Na gestão passada algumas medidas foram implantadas. A partir dessas medidas intensificamos as estratégias de combate, e conseguimos com o apoio da população eliminar os casos de dengue no município. A Secretaria de Saúde do Município juntamente com todos os profissionais da saúde vestem a camisa do trabalho e a sociedade participa. As secretarias de Obras e Urbanismo, Educação e Assistência Social também participam, através da limpeza pública, com palestras e orientações de como proceder com o lixo. Temos também uma campanha anual denominada “DENGUE FOLIA”. Nessa campanha é realizada uma semana de trabalho intensivo, na qual todas as famílias são visitadas. Além disso, um sábado antes do carnaval sorteamos prêmios, e em seguida ocorre um grande carnaval com trio elétrico para comemorar a extinção do mosquito.

MC – Na última semana um prefeito do RN renunciou ao cargo alegando efeitos da crise. Outros pensam desistir dos projetos de reeleição. Você pretende ser candidata a reeleição mesmo diante de tantas dificuldades?

BR – Desenvolver as atividades de um prefeito nunca foi fácil. Quando você entra em uma campanha, entra pensando em resolver todos os problemas da sua cidade. Porém, existem muitos obstáculos e dificuldades para resolver as dificuldades de um município. Por isso, é imprescindível para o gestor ter experiência e gostar muito do que faz.

Por Márcio Costa - Jornal o Mossoroense

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